Queria que soubesses que estou bem. Tal como o Noah em tempos disse a Allie, "Já não tenho ressentimentos, pois sei que o que tivemos foi real". Quis que esta carta fosse especial, pois nunca a lerás. Nunca te será entregue e nunca terás a possibilidade de a guardar, com desprezo, no fundo da tua gaveta onde se misturaria com todas as outras que te enviei, já esquecidas.
Tomei a derradeira decisão de te eliminar do meu pensamento. Por vezes é doloroso e dou por mim perdida nas nossas memórias e na semana que mudou a minha vida para sempre, mas finalmente encontrei o meu caminho. E o meu caminho, ao contrário do que diz a sabedoria popular, não vai dar a Roma.
Sei que seguiste com a tua vida, sei que estás bem. Também sei que chegará o dia em que não te lembrarás mais do meu nome, de onde venho, ou das promessas que fizemos. Eu, pelo contrário, sei nunca vir a atingir esse dia, pois a tua memória permanecerá para sempre guardada em mim.
De noite, quando o silêncio se instala no meu quarto e da janela observo as luzes da cidade à distância, não penso em ti. Quando me sento à beira do Tejo e acendo um cigarro pensativo, não sinto a tua falta. Se subo e desço as colinas de Lisboa, à procura de uma resposta às minhas perguntas, o teu nome não ecoa na minha mente. Deixei de viver em tua função, o meu coração finalmente pode descansar. Se por acaso o meu nome surgir por entre palavras, não te iludas, já não te pertenço.
Lembras-te da quantidade de vezes em que amaldiçoámos a distância que nos separava? É agora essa mesma distância que me conforta, que me dá força e vontade para seguir em frente. Como diz a Norah Jones, "Se nunca voltares, permanecerás uma memória distante"... Sei que nunca voltarás, a distância encarregar-se-á do resto. O tempo apagará a dor e limpará as lágrimas derramadas, transformando tudo isso em algo que nos fortificou perante a vida. Uma lição da qual retirámos um pequeno pedaço de esperança, agora já dissipada.
Sinto que ficou tanto por dizer, mas já não importa. Esqueci os teus beijos, esqueci o teu sorriso perante a minha presença, os teus olhos já não me assombram. Guardarei com carinho o que me deste, mas jamais lhes pegarei.
Já não te amo, recordo-te.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Perdida em Roma
Depois de um voo de apenas 30 minutos, tinha finalmente acordado para a realidade: Já não me encontrava a teu lado. Na minha mente tudo parecia um remoinho de ideias, no meu peito, de emoções. Vi-me sozinha naquela noite, numa cidade que me era tudo e não me era nada, que fora palco dos meus sonhos e desejos nunca concretizados. As horas passavam, os aviões lá fora partiam e chegavam e eu sentia-me fatigada, prestes a quebrar. Quando finalmente tomei conhecimento do que deveria fazer a partir dali, respirei de alivio, mas não fora por isso que me senti menos nervosa. Vi-me num autocarro escuro, que andava por entre estradas e mais estradas, o aeroporto cada vez mais longe, o centro da cidade a aproximar-se. Ao meu lado encontravam-se dois indivíduos, quem sabe na mesma situação que eu. O motorista tentava acalmar-me, apesar da barreira linguística que nos separava. Foi apenas quando abri a porta do quarto que me iria abrigar naquela noite que o meu coração decidiu também ele descansar. Lembro-me de me ter sentado naquela cama enorme, aquele silêncio ensurdecedor de hotel a zumbir nos meus ouvidos, e de me ter deixado deitar, fatigada. Lembro-me de ter pensado que, não havia 4 horas, estava ao teu lado. A pegar-te na mão. A beijar os teus lábios e as tuas lágrimas. Chorei, silenciosamente. Estendi o braço de forma a chegar ao meu maço de tabaco, aquele que tu me tinhas comprado, que tu tinhas escolhido para mim no dia anterior, quando ainda me pertencias realisticamente. Acendi um e vi o fumo a rodopiar em direcção ao nada, tal e qual os meus pensamentos. Sabia que o dia seguinte iria ser igualmente fatigante, portanto deitei-me, e foi a pensar em ti, a ouvir as nossas músicas, que adormeci. Acordei mal o sol nasceu e saí para o dia nublado. Estava frio e as minhas mãos geladas. Mal pareciam aquelas mesmas mãos que te tinham amado. De novo o mesmo autocarro, a mesma simpatia do motorista, o mesmo aeroporto. Uma devolução de bilhete, um avião que levantou voo, um choro escondido. Olho pela janela, e reconheço a imensa massa de metal vermelho, que se estende ao longo do Tejo. Lisboa. Portugal.
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